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O projeto disponibiliza espaço para que os políticos retratados apresentem argumentos ou justificativas referentes a informações divulgados no projeto, como noticiário que os envolva, ocorrências na Justiça e Tribunais de Contas, informações patrimoniais e outras. Para providenciar o registro de algum eventual comentário, solicita-se que o político entre em contacto com a Transparência Brasil.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Caos na pista




Um pneu estourado paralisa Viracopos, um dos principais aeroportos do País, e expõe o sucateamento do transporte aéreo nacional.

Hugo CILO

O Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, no interior de São Paulo, se tornou uma espécie de fonte de boas notícias nos últimos anos. O segundo maior terminal de cargas do Brasil, responsável por 18% de todo produto que entra e sai pelos céus do País, se orgulhava de ter os menores índices de atrasos entre os aeroportos brasileiros, as avaliações mais positivas de seus passageiros e de possuir um gigantesco potencial de crescimento, com promessa de investimentos de R$ 8,4 bilhões pela Concessionária Aeroportos Brasil, empresa que arrematou o aeroporto em leilão em junho deste ano.


Somava-se a isso a construção do trem-bala que ligará Campinas a São Paulo e Rio de Janeiro, até 2015, que tende a quase triplicar seu movimento, dos atuais sete milhões, por ano, para algo em torno de 20 milhões de passageiros transportados. Na última semana, no entanto, tudo isso ficou em segundo plano. Entre o sábado 13 e a segunda-feira 15, um avião cargueiro MD-11 da companhia americana Centurion, que teve um pneu estourado ao pousar no solo de Viracopos, paralisou todas as operações do terminal e revelou que, na verdade, se trata apenas de mais um frágil, improvisado e caótico aeroporto brasileiro. Inaugurado em 1960, meio século depois Viracopos ainda dispõe de apenas uma pista e não possui os equipamentos necessários para dar conta de situações de emergência, como a que envolveu o avião da Centurion.
“A Infraero, que opera o aeroporto, não tinha um plano de contingência e o assunto precisou ser resolvido entre as companhias aéreas”, disse Eduardo Sanovicz, presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).Somente depois de 46 horas, a Centurion acertou com a TAM a locação dos equipamentos, chamados de Recovery Kit, para movimentar a aeronave. Essa morosidade causou transtornos a 27 mil passageiros, que embarcariam em 500 voos que foram cancelados. A companhia aérea Azul, que realiza 85% das operações de voos e decolagens em Viracopos, foi a mais afetada, com nada menos de 25 mil clientes prejudicados (os restantes ficaram por conta da TAM e da Gol). A empresa suspendeu as vendas de passagens e ressarciu as despesas de clientes afetados pelos cancelamentos de voos.
Resultado: um prejuízo estimado em R$ 20 milhões, número que será ainda maior nos próximos dias, assim que as operadoras de logística divulgarem suas perdas com o incidente. Por Viracopos passam mercadorias de mais de 500 empresas brasileiras, como as peças e componentes que abastecem gigantes como Embraer, Mercedes-Benz, Samsung, Motorola e LG. “Estamos agora recolhendo os cacos, tentando mostrar aos nossos clientes que a paralisação não foi nossa culpa, embora tivéssemos responsabilidade junto aos que compraram as passagens”, afirma Gianfranco Beting, diretor de marca da Azul. “Chegamos a pedir autorização à Anac para operar em 2.500 metros que restavam de pista, que tem um total de 3.240 metros, algo que seria totalmente possível e seguro. A resposta nunca veio.”
Detalhe: a extensão que poderia ser utilizada em Viracopos, mencionada por Beting, é superior à da pista principal de Congonhas, na capital paulista, que tem 1.940 metros, e é o quarto terminal mais movimentado do País. O incidente expôs uma grave deficiência de Viracopos, mas poderia revelar as falhas estruturais de qualquer outro aeroporto do País onde acontecesse. Primeiro, porque nenhum terminal conta com o recovery kit, equipamento que lembra um colchão inflável com rodas, utilizado na remoção do cargueiro acidentado, e que custa R$ 2 milhões. A opção foi apelar para a TAM, a proprietária do único aparelho do gênero, que fica guardado em seu centro de manutenção, em São Carlos, a 140 quilômetros de Campinas.
Um problema semelhante ao que afetou o avião da Centurion, caso ocorresse em Manaus, por exemplo, demandaria muito mais tempo para ser solucionado, dada a distância. Outro fator preocupante, muito mais amplo que um fato isolado em Campinas, é a carência de pistas auxiliares, que poderiam ter evitado a paralisação de todo o aeroporto. Dos oito terminais aéreos mais movimentados do País, apenas três possuem duas pistas em operação: o de Cumbica, em Guarulhos, o de Brasília e o Galeão, no Rio de Janeiro. “Não existe setor que resuma tão bem nosso fracasso estrutural quanto o vexame dos aeroportos brasileiros”, diz Carlos Álvares da Silva Campos Neto, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), especialista em infraestrutura aeroportuária.

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