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O projeto Excelências traz informações sobre todos os parlamentares em exercício nas Casas legislativas das esferas federal e estadual, e mais os membros das Câmaras Municipais das capitais brasileiras, num total de 2368 políticos. Os dados são extraídos de fontes públicas (as próprias Casas legislativas, o Tribunal Superior Eleitoral, tribunais estaduais e superiores, tribunais de contas e outras) e de outros projetos mantidos pela Transparência Brasil, como o (financiamento eleitoral) e o (noticiário sobre corrupção).

O projeto disponibiliza espaço para que os políticos retratados apresentem argumentos ou justificativas referentes a informações divulgados no projeto, como noticiário que os envolva, ocorrências na Justiça e Tribunais de Contas, informações patrimoniais e outras. Para providenciar o registro de algum eventual comentário, solicita-se que o político entre em contacto com a Transparência Brasil.

sábado, 29 de setembro de 2012

Choque de realidade


Choque de realidade

Cerca de 400 militares voluntários do Distrito Federal e do Entorno participam, durante oito meses, da reconstrução do Haiti, país mais pobre das Américas. Eles garantem segurança, distribuem alimentos e levam até recreação aos moradores

Renato Alves

Nas horas de folga, Luís Carlos Alexandre de Andrade se veste de palhaço. O jovem de 21 anos faz a alegria de crianças, adolescentes e adultos em escolas, creches, praças. Nada de extraordinário, se ele não fosse um soldado servindo voluntariamente no Haiti e fizesse sorrir uma gente sem acesso a água e esgoto tratados, a comida, a educação básica. As palhaçadas desse morador de Samambaia são uma das poucas felicidades dos haitianos, privados também de qualquer forma de lazer.


Como Luís, muitos brasilienses ajudam na reconstrução e na segurança do Haiti. Eles fazem rondas, distribuem bebida, alimento, dão lições de higiene e até divertem os moradores. Dos 1.877 militares brasileiros servindo na missão de paz no mais miserável país das Américas, 339 pertencem a unidades das Forças Armadas do Distrito Federal. Outros 70 estão lotados em Cristalina (GO), cidade do Entorno distante 132km de Brasília.
São de soldados a oficiais, homens e mulheres. Todos voluntários dispostos a aprender com os haitianos e a dar sua contribuição para um futuro mais promissor à nação caribenha arrasada por um terremoto em janeiro de 2010. Desembarcaram no país da América Central em abril e ficarão por lá ao menos por oito meses. Nesse período, mesmo com direito a dias de folga, muitos não retornarão ao Brasil para rever os amigos, familiares, namorados, maridos. Além de tempo, precisam de dinheiro para a viagem, que não sai por menos de R$ 1,5 mil.
Miséria
A distância, a saudade, o desconforto, o contato permanente com a miséria, nada desanima esses brasileiros. Todos afirmam se realizar profissional e humanamente na missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, que, desde o início, em 2004, tem o Brasil à frente no campo militar. "É uma oportunidade única de conhecer outras pessoas e culturas. Gosto, especialmente, das crianças porque o mundo precisa delas, elas farão a diferença", comenta Luís, o soldado-palhaço.
Recreações como as que realiza no Haiti ele faz no Brasil há mais tempo, também como voluntário, em atividades da Pastoral da Criança. Mas para interagir com os haitianos, Luís teve instruções em crioulo, idioma falado por quase toda a população. Outra diferença é que, no país onde agora serve, o seu público não conhece circo nem palhaço. Por isso, quando o vê pela primeira vez, com a cara pintada, a peruca cor de rosa e o nariz vermelho, a maioria fica hipnotizada.
Adoção
Sargento do 3º Esquadrão de Cavalaria Mecanizada, unidade sediada no Setor Militar Urbano, o brasiliense Francisco Freire de Brito, 47 anos, dirige Urutus nas ruas e vielas da capital Porto Príncipe. Mas quando ele desce do tanque de guerra fabricado no Brasil, perde o nome e a patente. Para as crianças haitianas, é o Bubul. No dialeto delas, Gorducho. Com uns quilinhos a mais, o simpático militar, filho de candangos, morador da 210 Norte, adora o assédio da meninada.
O sargento Freire gosta tanto das meninas e meninos do Haiti que pensa em entrar com um processo de adoção de uma dessas crianças. "Tenho dois filhos, mas eles já são homens. Adoro crianças, posso ter mais. E, aqui, não tem como não se apaixonar por elas", ressalta, com uma menina nativa no colo, em meio a uma atividade cívica do Exército Brasileiro em uma escola da capital haitiana.
Freire sempre quis seguir a vida militar. Teve dois filhos. O de 24 anos é bombeiro militar. O mais novo, de 22, estuda administração e convenceu o pai a também ter um diploma de ensino superior. Antes de o pai vir para o Haiti e trancar a matrícula, ambos estudavam juntos.
O contato com as famintas crianças do Haiti também tem mexido com o soldado Felipe Ribeiro Soares, do Batalhão da Polícia do Exército, sediado no SMU. "Lá (no Brasil) a gente vive reclamando da vida. Aqui, vejo o que é realmente uma dificuldade. Tenho dois filhos, dói muito ver criança nesse estado", ressalta.
Os filhos de Felipe Soares têm 6 e 7 anos e moram com ele e a mulher na Cidade Ocidental (GO). "Sofro com a saudade, mas sempre tive o sonho de servir em uma missão como essa",
admite o soldado. Fazem parte da sua rotina no Haiti patrulhas quase diárias pelas favelas de Porto Príncipe, onde vive metade dos quase 10 milhões de haitianos.
Cerca de 90% da população não têm acesso a energia elétrica nem a saneamento básico (veja Para saber mais). País mais pobre das Américas, ocupa a 149ª posição entre as 182 nações classificadas, segundo o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). A expectativa de vida é de apenas 60,9 anos e 45,2% são analfabetos.
Favelas
Outro integrante do 3º Esquadrão de Cavalaria Mecanizada, o tenente Bruno Carlos de Paiva Campos, 25 anos, sempre sonhou em servir em uma missão da ONU. No Haiti, ele comanda um pelotão de 30 militares. Muitas vezes, lidera incursões em favelas violentas em madrugadas. "É uma realização profissional, pois é uma situação real, coloco em prática tudo que aprendi na academia", afirma o jovem carioca, morador do Guará, que se mudou com os pais para o DF em 2001.
Filho de um subtenente aposentado da Aeronáutica, ele também destaca o envolvimento com o povo haitiano. "Aqui a gente cresce muito devido ao choque de realidade. Passa a dar mais valor à família, às pequenas coisas, às pequenas conquistas."
Repórter e fotógrafo viajaram
a convite do Ministério da Defesa
Para saber mais
Lixo a céu aberto, ratos e porcos
Mais de dois anos e meio após o terremoto que matou cerca de 250 mil pessoas, a miséria e a falta de oportunidades permanecem no Haiti. A única mudança visível é a limpeza das vias públicas, onde não há mais escombros. Mas o lixo continua por todo lado, pois não existe coleta regular, o que facilita a disseminação de doenças como a cólera. Nas feiras livres da capital, Porto Príncipe, há um aglomerado de comida e lixo a céu aberto. Ambulantes e clientes convivem com porcos, cachorros sarnentos, cavalos e ratos. Em média, o haitiano faz uma refeição por dia, contando qualquer lanche. Para cozinhar a comida que conseguem usam carvão, praticamente a única fonte de energia do país — por isso, só 0,5% da cobertura vegetal nativa resistiu às queimadas. Os principais recursos naturais são o mármore e o calcário, cujas explorações estão estagnadas. Os rios não são perenes.


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